Varejo: a nova era do controle financeiro
ESTUDOS DE CASO
7 de ago. de 2024
6 minutos de leitura
O caso Americanas trouxe à tona uma questão que vai muito além de uma empresa específica: como milhares de transações com dezenas de participantes podem gerar até mil lançamentos por operação sem controle analítico real? Enquanto discutimos o que aconteceu, a pergunta verdadeiramente importante permanece em segundo plano. Será que outras grandes varejistas estão preparadas para a transparência que o mercado vai exigir?Retry
A questão que ocorreu nas lojas Americanas tem sido amplamente discutida nos últimos dias em diversos canais, sabemos, mas o ponto que queremos trazer aqui não é sobre essa história.
Até porque achamos complexo e mesmo antiético fazer marketing em cima de uma situação delicada e que envolve uma empresa com o porte e a história das Americanas, mas é uma situação que trouxe luz a um debate que consideramos importante: como deixar fluxos de dinheiro mais seguros, eficientes e transparentes?
Em primeiro lugar, ressaltamos a importância de separar e controlar dinheiro da empresa e de terceiros. Depois, é preciso que a empresa consiga ter total controle do fluxo do dinheiro, podendo monitorar em tempo real todas as operações e ter controle e segurança da distribuição de todo o dinheiro que passa pelo fluxo, garantindo a eficiência de transações parceladas e à vista para todos os envolvidos na operação.
Todas estas questões vão causar uma reação em cadeia de grande impacto no fluxo do dinheiro das grandes varejistas: influenciando a relação com ERPs, Sellers, bancos, enfim, todos os envolvidos no fluxo.
Por quê?
Por que esta imensa inconsistência que aconteceu nas Americanas traz luz a um problema que está na origem. Quando o pedido é transacionado, se monta a agenda a pagar para o seller e se faz uma antecipação de recebíveis para cumprir o pagamento à vista. E aí que começa o problema.
A reação em cadeia no fluxo do dinheiro das varejistas
Avançando e deixando mais claro: negócios que têm um modelo baseado em intermediação de valores de terceiros precisam fazer o controle do dinheiro de forma analítica. Mas o que isso quer dizer? Vamos a um exemplo prático:
Entra uma operação de venda parcelada em 10 vezes. É preciso encaminhar estas dez parcelas nos dez meses subsequentes e, parcela a parcela, encaminhar, do ponto de vista escritural, de fluxo de caixa, para onde este dinheiro vai. Uma venda como essa pode gerar até 40 lançamentos por parcela, dependendo do nível de splits e participantes na transação.
Ter um controle analítico tão detalhado destes 400 lançamentos de débito e crédito em uma série de contas é o grande desafio. E quando esta transação sofre um estorno, um cancelamento ou uma antecipação de recebíveis? É preciso gerar mais a mesma quantidade de lançamentos no sentido reverso. É comum que, no ciclo de vida de um único pedido, existam uns 1000 lançamentos referentes a uma única transação.
E este exemplo contempla uma única venda. Mas são milhares ou milhões de vendas no universo de grandes empresas. Em marketplaces é praticamente impossível controlar isso sem um controle analítico. Todos os varejistas utilizam ERPs que foram programados para controlar operações muito mais simples e não contemplam dinheiro de terceiros.
Bancos, adquirentes e outras instituições que financiam estas empresas não conseguem ter 100% de transparência por transação, apenas um controle macro, sem detalhamento. Mesmo que exista um arcabouço de registro de recebíveis, são registradas unidades de recebíveis, não transações e suas parcelas, por exemplo. Portanto é uma grande massa de informação, um sistema ineficiente que gera apenas registro macro.
Os bancos que estejam financiando a operação não conseguem ter visibilidade se seus recebíveis estão no fluxo ou não e se estão sendo estruturados de maneira certa.
A reação em cadeia que isso pode causar - ou talvez já esteja começando a causar - é que, por não ser um sistema analítico, acaba não sendo seguro. Sem transparência e detalhe das transações, é provável que as linhas de crédito sejam desidratadas por falta de confiabilidade no processo.
Como parar este trilho de dominó? Auditorias imensas para conferir os balanços de todo mundo podem ter custo alto de tempo e dinheiro. E qual ferramenta estas auditorias utilizariam para fazer a conferência retroativa?
Estaria o mercado de marketplaces em risco financeiro?
Nós acreditamos que cada vez mais esses negócios adotarão o uso de Sistemas Operacionais do Dinheiro como núcleo da sua gestão financeira, garantindo o controle de forma analítica de todo o seu fluxo.
Essa camada adicional de software, criada especificamente para orquestrar o dinheiro ao longo do seu ciclo de vida dentro da empresa é o que dará novas possibilidades para que o mercado possa organizar-se de uma nova maneira.
Assim como a nuvem representou um salto exponencial para a criação de novos negócios, os Sistemas Operacionais do Dinheiro representarão a próxima grande revolução, diminuindo as barreiras para inovação, crescimento e eficiência.
AUTOR
Arthur Silveira
Arthur Silveira é CPO da Slice. Empreendedor serial, especialista em negócios e soluções de pagamentos. Slice: AI-powered ledger for enterprise.
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